
m número bem considerável de restaurantes simplesmente não admite esta prática. Negam-se a fornecer taças e a abrir a garrafa. Argumentam que o procedimento é ofensivo, pois equivale a levar um pedaço de picanha para a churrascaria e pedir ao churrasqueiro para assá-la...
Portanto, já ensina a velha sabedoria que a gente deve saber com exatidão onde está pisando. Uma coisa é um restaurante que não oferece vinhos aos seus clientes ou tem apenas uma relação com uma dúzia de produtos bem populares, todos com o preço final inferior a R$99. Neste caso, levar um vinho de inquestionável qualidade, com custo acima deste valor, pode se justificar. Mas, de qualquer forma, a boa educação recomenda conhecer a prática da casa, ainda que seja através de um simples telefonema.
Outra coisa é um restaurante enogastronômico, que investiu para oferecer aos seus clientes uma adega climatizada, uma carta com vinhos bons, ótimos, excelentes e excepcionais, profissionais habilitados (sommelier e garçons) e taças apropriadas para cada tipo de vinho. Neste caso, convém se certificar antes se o seu vinho não consta da carta de vinhos do restaurante. Por exemplo: se a casa é de comida italiana e tem uma carta com os melhores vinhos do Piemonte, com grandes Barolos e Barbarescos, não tem sentido aparecer por lá levando um Dolcetto d´Alba ou um Barbera d´Asti.
Tenha sempre em conta que é ridículo e ofensivo levar um vinho a um restaurante, com o propósito de economizar, de gastar menos. Só se dê ao trabalho de levar o seu vinho se ele estiver à altura de acompanhá-lo dignamente ao estabelecimento escolhido. Quem, por exemplo, poderá negar que o Cheval Blanc da safra de 1982, guardado na sua adega e esperando por um grande momento, é uma companhia acima de qualquer dúvida ou questionamento?
No caso do restaurante Fazenda das Videiras, informamos que adotamos a política de não incluir na carta os vinhos cujo preço final ao consumidor teria que ser superior a 999 reais (valores de fevereiro de 2009). Oferecemos em nossa carta cerca de cinquenta vinhos excepcionais, laureados com pontuação máxima em degustação às cegas promovidas por instituições idôneas, mas nenhum deles custará ao nosso cliente mais de 999 reais. É nosso compromisso garimpar os vinhos considerados campeões da relação preço-qualidade!
Portanto, quem tiver em sua adega domiciliar vinhos como os Château Haut-Brion, Château Lafite-Rothschild, Château Latour, Château Margaux, Château Mouton-Rothschild, Château Cheval Blanc, Château Ausone, Petrus, La Tache, Romanée-Conti e outros vinhos excepcionais, destes que seguramente valem mais de mil reais a garrafa, quer pela safra, quer pelos méritos do produtor, não hesite em trazê-lo à Fazenda das Videiras para degustá-lo com os pratos oferecidos pelo nosso restaurante.
Estejam certos de que nós nos sentiremos muito honrados em atendê-los, fazendo todo o serviço do vinho, que lhes será servindo em taças adequadas e precedido de decantação, quando for o caso. Para este atendimento personalizado, lhes será cobrada uma “taxa de rolha” de R$70, valor este inferior à taxa de serviço de 10% que seria paga se o seu vinho estivesse na nossa Carta de Vinhos.
Desta forma, aquele avarento que aparece de surpresa, trazendo debaixo do braço uma zurrapa comprada na padaria, vai se arrepender amargamente. Educadamente, faremos todo o serviço do vinho, mas neste caso o valor da “taxa de rolha” lhe parecerá exorbitante, pois certamente será mais alto do que o vinho medíocre que ele trouxe debaixo do braço para exercitar o seu pão-durismo às nossas custas...
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